terça-feira, 22 de outubro de 2013

Lauro de Freitas sediará seminário regional de combate ao extermínio da juventude negra


São estarrecedores os números que revelam e traduzem a violência letal que vitimas jovens negros(as) todos dias nos grandes centros urbanos do país. São números que se equiparam a nações em estado de guerra. Nunca se assassinou tantos jovens no Brasil, quanto nos dias atuais.
O mapa da violência produzido pelo governo federal mostra traz a tona um problema que deixa de ser uma questão pontual e entra na lista de prioridades, tanto dos movimentos sócias organizados, quanto das instituições públicas.

Reduzir a taxa de mortalidade da juventude negra brasileira é o maior desafio, na atual conjuntura, a ser enfrentado pelo estado brasileiro, que apesar dos esforços não conseguiu ainda produzir resultados satisfatórios e que gerem perspectivas de dias melhores. É consenso que esse desafio precisa ser enfrentado por todo o conjunto da sociedade em parceria com as instâncias governamentais. Assim sendo, o município de Lauro de Freitas, dá um passo no sentido de produzir diagnósticos e apontar as ações que podem servir como balizador de uma luta árdua que visa a manutenção da vida.

O Seminário Regional de Combate ao Extermínio da Juventude Negra é uma iniciativa do movimento social de Lauro de Freitas e de organizações parceiras que reunirá nos dias 24, 25 e 26 de outubro, jovens de oito estados da região nordeste do país que discutirão a partir das suas vivencias e experiências adquiridas, estratégias que possam orientar a implementação de políticas públicas que reajam à violência letal que destrói famílias inteiras nas periferias dos grandes centros urbanos.

A Posse de Conscientização e Expressão (PCE), organização do movimento Hip hop de Lauro de Freitas será a anfitriã e conta com a parceira do Coletivo de Entidades Negras (CEN), Rede Nacional de Juventude Negra (RENAJUNE), Fórum Nacional de Juventude Negra FOJUNE e a Escola de Formação Quilombo dos Palmares (EQUIP) na elaboração e execução do projeto. O Programa Juventude Viva, a Coordenação Ecumênica de Serviços (CESE), a Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e o Governo do Estado da Bahia darão o suporte logístico necessário à realização do seminário.

O Seminário que tem articulação nacional conta ainda com a presença da Secretária Nacional de Juventude Severine Macedo e importantes lideranças jovens do movimento negro da Bahia e outros estados da região nordeste.


Veja proposta de programação. Sujeito a confirmações e alterações.


Mesa de Abertura


                          VIOLÊNCIA E EXTERMÍNIO DA JUVENTUDE NEGRA.


Mediação: Ricardo Andrade

Componentes:

Adelmir Borges - RENAJUNE
Márcio Paiva - Prefeito de Lauro de Freitas
Ailton Ferreira - (Superintendente da SJCDH)
Mãe de Vítima;
Elias Sampaio - SEPROMI
Vladimir Costa Pinheiro – SERIN/CONJUVE
Cláudio Reis - Posse PCE
Marcos Rezende - CEN Coletivo de Entidades Negras
Aline N’Zinga - Quilombo Xis / Campanha Reaja
Elder Costa - FONAJUNE
Severine Macedo – SNJ-SG/PR


DA IDENTIDADE NEGRA E JUVENIL  
(Diálogos entre os jovens - como me sinto sendo jovem e negro/a em meu país. )

Apresentação do “Mapa da Violência no Brasil” destacando o Nordeste e o lugar dos/as jovens negros/as.

Devolutiva dos participantes. Sobre as impressões do mapa da violência.

Roda  de Capoeira e batuques

Mesa de diálogos: 

As políticas publicas e o enfrentamento a violência institucional .

Mediação: Geovan Bantu

Jacinto Alberto - Delegado da  28º   - Delegacia de Policia de Lauro de Freitas -Bahia
Mauricio Barbosa - Secretario Estadual de Seg. Publica do Estado da Bahia.
Hamilton Borges -  Campanha Reaja
Vilma Reis - Conselho de Desenvolvimento Comunidades Negras
Samuel Vida – Professor de Direito da UCSAL 
Major Grum -  Comandante da 52º  PIPM
Severine Macedo – SNJ – Governo Federal

Apresentação do Plano De Prevenção a Violência Contra a Juventude Negra – Plano Juventude Viva em debateDo Governo Federal.

Debate com o Público e levantamento de propostas para a implantação do plano de enfrentamento a violência nos municípios.

Noite  cultural ( Expressões artísticas da Juventude Negra)


Grupos de Trabalho – GTs. 
(Construção de um plano de enfrentamento a violência nos municípios e ou de monitoramento nos municípios onde já foi lançado)


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Da análise sociológica ao corpo morto: retratos do objetivismo e do relativismo no jornalismo baiano

Todos que habitam essas terras soteropolitanas acompanharam, nos noticiários, a médica que assassinou com seu carro, por conta de uma briga de trânsito, dois jovens sobre uma moto. O fato, muito noticiado, quase culminou com uma manobra jurídica, quando os médicos do hospital particular ao qual a médica permanecia internada recomendaram mais 48 horas de internação, até o momento em que os médicos legistas identificaram a improcedência técnica desta solicitação.
Mas a questão, muito polêmica, não se esgota no fato em si e, a meu ver, reside no comentário de um terapeuta, que por sinal resolveu comentar o fato. Seu comentário, evidentemente, suscitou a movimentação de um verdadeiro aparato maquínico televisivo: reporteres e reportagens, jornais, entrevistas, câmeras, comunicandos e etc.
Aos que quiserem buscar o texto dele por si próprio, que o faça, não serei eu que irei referenciá-lo aqui. Mas não poderia, entretanto, deixar de oferecer a minha opinião, não sobre o texto propriamente, mas sobre as diferentes práticas discursivas e os diferentes saberes que são movimentados em dadas circunstâncias, mas que na ausência destas, movimentam-se outras práticas e saberes.
Em resumo, o que o terapeuta defende, embora sem explicitamente defender, é o relativismo na interpretação deste fato em específico, recorrendo a explicações sociológicas, psicológicas, cognitivas e afetivas, que se vê no discurso em voga o uso recorrente de termos como "e se fosse sua mãe?", "projeção psicológica social...", que poderia se tratar de uma possível "hipervigilância", etc., embora haja um certo receio, também recorrente no texto, mas inteiramente plausível, que se expressa em frases como "que fique claro, nada justifica mortes!".
 Meu parecer: ver diferentes opiniões de um mesmo fato é importante. Ainda que um fato seja complexo, há de se ter cautela com o relativismo. É importante determinar quais os fatores sociais, econômicos, jurídicos, políticos e étnicos estão sustentando o discurso da "hipervigilância" e do "e se fosse sua mãe". Porque algumas práticas são tidas como mais complexas do que outras? Porque alguns discursos de determinados segmentos socioeconômicos e de classe (médica, alta...) articulam diferentes saberes (cognição, na hipervigilância, afetivo, no argumento do "desequilíbrio emocional", no "e se fosse sua mãe...?"), enquanto os mesmos crimes, com mesma tipificação (doloso), podem evocar apenas um ou dois saberes (o discurso jurídico penal e moral) quando cometidos por outros segmentos socioeconômicos, de classe, étnicos? Por que para uns, o relativismo da crítica social e da identificação afetiva, enquanto que para outros resta o objetivismo intratável, indigesto, do Na Mira? De maneira mais vulgar, pergunto: quais agentes sociais destinam o discurso da análise sociológica e quais são aqueles olhares que incidem o riso e o escárnio do corpo morto em pleno horário de almoço?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

REFORMA POLITICA BRASILEIRA E A QUESTAO RACIAL

REFORMA POLITICA BRASILEIRA E A QUESTAO RACIAL
POR:Raphael Mukumbi
A reforma política brasileira não pode ser resumida a uma simples reforma do campo eleitoral. Em país regado pelo racismo, herança de épocas coloniais, é necessário que se faça deste ato uma forma de sanar as constantes desigualdades. Contudo o cenário político e social brasileiro, precisa de reajustes urgentes. O desgaste na forma de fazer política no Brasil já vem mostrando fragilidades.Isso ocorre por causa da ineficácia do Estado,em sanar as problemáticas sociais,e também pelo descaso das camadas mais abastadas da sociedade brasileira.A nível de exemplo,pode-se constatar que maior parcela da população se encontra excluída e marginalizada,enquanto uma pequena parcela tem o privilegio de gozar de forma ampla,tendo representatividade maciça no cenário político ocupando as cadeias de comando.
Não se deve pensar que o assunto de reformar a política brasileira seja algo novo. É constante na historia do Brasil, movimentos populares que exigiam mudanças de âmbito político e social. A exemplo pode-se ter dois principais movimentos que foram a Revolta  dos Males em 1835,e a Conjuração dos Búzios de 1798.Estes dois movimentos revolucionários,traziam em sua pauta a abolição da escravatura,que na época era o que sustentava a economia e  a vida política do país.De forma evidente,se constata que a desigualdade que há em solo brasileiro,é conseqüência direta dos três séculos de escravidão,no qual o Estado se alimentou,e na política de exclusão,durante o séculos XIX e XX,quando o país se embriagava com a “belle-époque” tendo o explicito desejo de se tornar uma segunda França.
Não se pode declarar a existência plena de uma democracia, sabendo da não existência de mecanismos que possam a vir a garantir uma verdadeira isonomia social. O sistema de cotas nas universidades publica, que a principio veio para possibilitar o acesso de jovens negros nas universidades publicas, de certa forma pode ser encarado como um possível começo para uma futura equidade, porem, os jovens que deveriam ocupar essas vagas, muitos deles estão morrendo sendo vitimados pela violência urbana. De 2003 ate o ano de 2013,jovens negros foram duramente assassinados,ora pela mão do Estado sendo representado pelo poder policial(PM),ora pelo trafico de drogas,sendo muitas vezes criminalizados e tendo suas mortes banalizadas.Isso mostra que se deve ter uma política que venha garantir uma real condição de dignidade a população negra,garantindo sua real inserção nas cadeias de comando da sociedade.

Em suma a ultimas propostas de reforma política, que vieram a conhecimento popular nos últimos dias, não ira ter um grande efeito na vida da população brasileira, já que ela se restringiu a reformas no campo partidário e eleitoral. Para se reforma a política brasileira,se deve começar por disponibilizar uma certa melhoria nos serviços públicos,como educação,segurança publica entre outros.A ampliação de representatividade política para as minorias(Negros e indígenas),deve ser salientada e deve ser colocada como ponto crucial,de qualquer reforma que se possa vir acontecer.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Entrevista com Antonio Pompêo

terça-feira, 1 de outubro de 2013



                                



  A
ntonio Pompêo nascido em São José do Rio Pardo, em 23 de fevereiro de 1953 é um dos nossos convidados a dar uma entrevista exclusiva para o RENAJUNE. Ele estreou nas telinhas em Xica da Silva e atuou em O Xangô de Baker street, como também em diversos outros filmes. É diretor de promoção, estudos, pesquisas e divulgação da cultura Afro-Brasileira da Fundação de Palmares, ligada ao ministério da Cultura do Brasil. E é um dos representantes do projeto A Cor da Cultura. Atualmente é presidente do Centro de Documentação e Informação do Artista Negro, sendo assim não poderia ficar de fora das entrevistas de um blog direcionado a juventude negra.
Confira a entrevista abaixo



1. Como ator, vc já deu vida à alguns personagens que viviam na época da escravidão no Brasil. Na sua opinião, a escravidão realmente foi abolida?

Antonio Pompêo - Bem, como artista me sinto privilegiado. Já tive a oportunidade de fazer inúmeros personagens: médico, advogado, delegado. Isso em vários veículos como: cinema, teatro e televisão
 A escravidão foi abolida no papel, mas continuamos escravizados  em vários aspectos na sociedade. Cabe a nós, negros, criarmos e usarmos instrumentos de libertação. Não podemos esperar que os brancos  façam isso por nós.

2. Qual foi o trabalho mais marcante de sua carreira
Antonio Pompêo - Todos os personagens foram marcantes, Desde uma pequena participação até os grandes personagens, com Zumbi dos Palmares no filme Quilombo de Cacá Diegues. Todos contribuíram para o crescimento como ser artista e ser humano.


3. Você é ator, pintor e gravurista. Qual dessas atividades te dá mais prazer em realizar?
Antonio Pompêo - Gosto de ser um artista e também ser diretor. Fui um dos organizadores do projeto “A Cor da Cultura”, junto com o Canal Futura e diretor da série Mojubá, que faz parte do projeto. Tenho a minha produtora que trabalha com teatro e produção de documentários e me dedico a pintura. Através dessas atividades vou construindo a minha carreira de artista.

4. Você sofre ou já sofreu algum tipo de preconceito por ser negro? O que você acha sobre a forma que o preconceito é abordado no Brasil, pelos jovens, principalmente?
Antonio Pompêo - Na minha carreira sofro algumas restrições da minha atividade como ator. Mas, se eu não fosse negro não poderia ter tido o prazer de interpretar vários personagens. Vejo os jovens negros muito acomodados. Eles não tem noção da história do povo negro. E que, para que as cotas,  e algumas conquistas para a comunidade fossem conquistadas, muitos negros lutaram para isso.
 
 5. Você fez muito sucesso com vários personagens religiosos. Você é um homem religioso? Qual é sua religião?
Antônio Pompeo - Bem, já interpretei padre, religiosos afros, e personagens que tinham uma grande carga religiosa. Eu sou do candomblé. Um Obá de XangÔ

6. Qual é o conselho que vc daria para os jovens brasileiros hoje?
Antonio Pompêo - Lutar, resistir e evoluir.



                       

                                                 Colaborações: Flávia Neris e Ramaiana Santos