sábado, 21 de março de 2009

Carnaval: Palco das Desigualdades

Criado: 30‎ de ‎outubro‎ de ‎2009

Lauro Araújo.

Novamente veremos em mais um ano o tapete branco na avenida. Um tapete formado por homens que com a roupa branca se denominam Filhos de Gandhi e representam dessa maneira a paz e a esperança de um mundo melhor, pois eles compartilham da mesma concepção do grande líder religioso Mahatma Gandhi.

Esse ano é muito especial, já que esse bloco completa seus 60 anos com muita magia e seu esplendor que há muito é conhecido não apenas na cidade de Salvador, mas também no mundo.


Mas esse grande momento, não deve ser lembrado apenas pelas festas anteriores, mas sim pela grande ideologia de Mahatma Gandhi, que visava um mundo melhor, mais igualitário, conseguintemente justo, onde todos os cidadãos tivessem suas necessidades atendidas, independente de etnia, religião, naturalidade, ou seja, independente de qualquer fator que pudesse distingui-los. Infelizmente devido a vários fatores não é isso que presenciamos. Segundo a Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua, realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, no ano de 2008, Salvador é a segunda maior cidade com maior número absoluto de moradores de rua, com 3.289 (0,110%), atrás apenas do Rio de Janeiro, que tem 4.585 (0,080%).


Não é de hoje que denúncias são feitas sobre esse cenário de desigualdade que presenciamos em nosso cotidiano, quando andamos pela cidade. Essa parcela da população que mora nas ruas, em sua grande maioria é negra. Esse fato se deve por questões históricas que se deram antes mesmo da abolição da escravatura e que após ela agravou-se.


O carnaval para muitos significa alegria, diversão e muito prazer, no entanto há outro “mundo” no qual o mesmo (carnaval) possui outro significado. Esse “mundo” é formado por uma esmagadora maioria pobre, cuja etnia em especial é negra, e durante o período festivo se submete aos mais diversos tipos de trabalhos classificados como subumanos. Infelizmente os indivíduos são obrigados a realizar as atividades que lhes colocam em uma situação de vulnerabilidade, pois é uma forma de complementar a renda familiar.


Considero preocupante o fato do carnaval também representar um mercado para crimes como exploração sexual, inclusive de crianças, o tráfico de drogas e etc. cometidos em grande parte por turista, que classificam o Brasil como um país totalmente liberal e possuidor de um sistema judicial debilitado, possibilitando assim todo tipo de abuso.


São poucos os indivíduos e organizações militam em busca da garantia de uma festa realmente inclusiva, que possa garantir condições de trabalho que não sejam exploradoras, nem um tratamento desigual. No entanto as mudanças nesse sentido são gradativas, visto que há grandes empresários que desejam que o carnaval permaneça como está.


Esse ano não pode deixar de ser marcado com um ato contra esses tipos de violências que sofremos rotineiramente, ainda que muitos busquem esquecer e aproveitar o carnaval fingindo que assim poderão se distanciar dessa realidade tão próxima.

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