quinta-feira, 2 de abril de 2009

Meu Príncipe, Minha Princesa

Criado: Terça-feira, 31 de março de 2009

Modificado: Domingo, 18 de outubro de 2009


Lauro Araújo

Podemos notar mudanças significativas na sociedade contemporânea. É perceptível que muitas crenças e preconceitos estejam sendo derrubados. Considero também que a capacidade em analisar e debater temas diversos tornou-se mais ampla. Algo de fundamental importância para construirmos uma sociedade de fato democrática e igualitária.

Não tenho duvidas que estejamos em um processo de transição para uma humanidade mais consciente. No entanto, resta um questionamento, se realmente podemos nos considera atores desse cenário? Se nós estamos contribuindo de maneira significativa ou se não estamos mentindo para nós mesmo, sobre o nosso papel nesse processo.

O modo mais correto de obtermos essa resposta e quando nos avaliamos de maneira sincera e crítica. Quando temos a capacidade de admitirmos os nossos erros e percebemos que agimos persuadidos pela sociedade. Vemos que “nossas” escolhas, não são nossas, mas sim ações que a sociedade nos doutrina a reproduzir, porém não percebemos e acreditamos que são nossas escolhas.

Questiono as leitoras, qual é o perfil físico de seu príncipe encantado? Será que as senhoritas serão capazes de descrever? E aos rapazes quais são as características físicas de suas princesas? Será que também possuem a capacidade de descrever?

Infeliz a ideologia de Willie Lynch ainda prevalece e a mídia tem contribuído de maneira eficiente para fortalecê-la. Além de enfatizar um padrão estético, tornando-o homogêneo, desenvolve e estimula atitudes preconceituosas contra os demais sujeitos que não pertencem a esse modelo estabelecido.

Há um fenótipo privilegiado e uma legitimidade para agredir todos os demais que nele não se enquadra. As ações que agridem as minorias étnicas são justificadas pela forma como a sociedade está estruturada, ou seja, trata-se de uma exclusão social não estética.

Aprendemos ainda quando crianças a cultivar um tipo de “beleza” eurocêntrica. Nós excluímos e consideramos totalmente horrendo, qualquer tipo de característica física que esteja fora desse padrão de beleza estabelecido pela sociedade.

Ocupamos, ainda que de forma inconsciente, os papeis de verdadeiros monstros, no momento em que reproduzimos ações preconceituosas mecanicamente. Cotidianamente classificamos, utilizando como critério para juízo de valor o padrão de beleza vigente, as pessoas como “feias” ou “bonitas”. Uma demonstração de ignorância e escravidão voluntária, já que permanecemos fortalecendo as correntes que nos prende. Reprimindo a nós mesmos.

As crianças são exatamente as que mais sentem o efeito desse preconceito camuflado e bem discreto, pois essas não possuem a capacidade de se defender, nem de refletir sobre suas ações. No processo de desenvolvimento psicológico, eles desenvolvem um complexo de inferioridade, criando em alguns casos, ódio de sua própria aparência, almejando ser outro indivíduo, pois compreendem que apenas dessa maneira poderão ascender socialmente.

O fim do sistema político-econômico capitalista, não será a resposta para todos os males que enfrentamos, pois podemos perceber ações racistas, machista, homofobicas e outras diversas maneiras de preconceito, que se dá entre indivíduos da mesma classe social. Lógico que a instalação do sistema político-econômico-social, será um grande avanço nessa e em outras questões.

A única solução para tais problemas seria a conscientização de todos os sujeitos, para que esses pudessem desconstruir essa ideologia preconceituosa e por conseqüência discriminatória que existe dentro de cada um. A alternativa para reverter toda essa situação seria por meio de políticas educacionais que visem o desenvolvimento de sujeitos capazes de respeitar o outro por seu caráter. É preciso evidenciar que a criação de padrões é para possibilitar a dominação de determinados grupos sobre outros. O desenvolvimento de uma educação que possibilitasse aos pais reconhecerem os erros que cometem ao longo do processo educacional, permitindo assim que seus filhos se tornem sementes de uma nova sociedade. Mas isso ainda permanece uma utopia.

O que eu pretendo mostra com esse pequeno texto, é o fato de que somos preconceituosos, mesmo que não nos dermos conta disso. Quero poder desperta essa autocrítica que podemos realizar pra nos tornarmos pessoas melhores! Sei que não é fácil, afinal de contas depois de tantos anos de doutrinação mudar parece ser uma tarefa com alto grau de complexidade.

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