sábado, 20 de junho de 2009

A polêmica política de Cotas - parte 1 (Silier Borges)

Não raro proclama-se nos âmbitos mais díspares - do acadêmico às conversas triviais -, opiniões infundadas ou de superfície acerca da temática da adoção de programa de cotas em universidades públicas e privadas. O fato é que existem pesquisas sobre a polêmica racial e teses de doutorando sobre suas várias vertentes e sub-temas.
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Como no caso em que Antonio Dantas, ex-chefe do colegiado da Faculdade de Medicina UFBa, afirmara o veemente baixo quoeficiente de inteligência baiano, possivelmente devido à miscigenação e outras antiguidades teóricas. Porém, tratando-se da prática das chamadas "ações afirmativas", há evidente logicidade na afirmação da tese comprovadamente histórica, em que se declara a existência de grupos e segmentos socio-raciais não contemplados com a inclusão nos meios favoráveis à ascensão e estabilidade social. Tais que vitimizados pela política de interesses econômicos de um emergente capitalismo moderno, que com oferta de libertação do sistema escravocrata criara novos públicos consumidores, mas que não ofertaram acesso à educação crítica, profissionalização acadêmica e condições adequadas de sobrevivência em um mercado tanto competitivo quanto excludente.
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Sabe-se, igualmente, acerca da atual ineficiência do sistema de ensino público fundamental em formar estudantes críticos, leitor dos fenômenos políticos nacionais e engajados às transformações do mundo contemporâneo. Ademais, vale notar que significativa demanda de vestibulandos às universidades oferecedoras de vagas cotistas são oriundos do referido sistema público, reveladamente deficitário. Como, portanto, favorecer a curto prazo e efetivamente grupos afrodescendentes historicamente marginalizados, relegados ao precário sistema educacional médio e fundamental?
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Muito argumenta-se contrariamente às politicas que objetivam igualar segmentos da sociedade que sofreram alguma modalidade de pré-juizo social. Argumenta-se, igualmente, que a prática de cotas é prejudicial, pois reinstaura a institucionalização da discriminação, judicialmente amparada pelo poder estatal. Deve-se compreender, pois, que a prática da chamada 'discriminação positiva' visa esclarecer e distinguir os ditos grupos desfavorecidos de classes abastardas, objetivando reparação social.

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