segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A auto-afirmação (Lauro Araujo)



Depois de séculos de reivindicações e muito sofrimento, notamos tímidas mudanças no cenário racial. O povo negro tem conseguido vencer os obstáculos lhes imposto e agora vão ocupando sutilmente os espaços que lhes são de direito.

Aumentou-se o numero de pessoas que se auto-afirmam negras. O estilo negro ganha cada vez mais evidencia e adeptos. A cultura negra, infelizmente ainda sofre muita discriminação, no entanto busca por seu espaço permanece firme e ganha a cada dia um número maior de militantes.

Ficamos felizes ao perceber que ganhamos cada vez mais voz, ainda que tenhamos ciência que a luta é imensa e o caminho que trilharemos parece não ter fim. Mas esse texto não vem apenas para expressar nossa felicidade sobre essa questão, mas sim para expor nossa preocupação em relação da falta de sensibilidade de alguns negros, que mesmo adotando a cultura, o estilo negra, não busca desenvolver os conhecimentos sobre a nossa historia, nem tão pouco busca ocupar os espaços de debate que abordam nossas temáticas, o que faz com que nossas reivindicações sejam atendidas de modo ainda mais tardia.

Acreditamos que a maior temática nos dias atuais seja o genocídio da nossa juventude que vem ocorrendo a um longo período, no entanto nada é feito para que esse extermínio seja contido. Caso não haja uma ação nossa, muito em breve iremos presenciar o retrocesso de nossas tão almejadas conquistas.

Temos uma grande responsabilidade, independente da idade que tenhamos, da região geografia onde nos localizamos, do espaço que ocupamos na pirâmide social, temos algo me comum que é uma historia de sofrimento, tristeza, dor, opressão, privações, discriminações e tantas outras ações degradantes da identidade.

Adotar o estilo negro é sem sombra de duvidas um grande passo, mas conhecer sobre a cultura negra e ocupar os debates nos manifestando a favor e mostrando que somos capazes de gerir nossas políticas é de fundamental importância.

Devemos buscar preencher as lacunas existentes dentro do sistema, que nos distancía dos objetivos e que nos torna indivíduos estigmatizados. Não é uma opção, mas sim uma obrigação nossa permanecer na militância e dá continuidade a luta do povo negro que vem se perdurando há anos. Temos o dever de construir uma sociedade livre de qualquer tipo de preconceito ou discriminação.

Se de fato conseguirmos nos conscientizar e logo em seguida nos organizar, poderemos assim acelerar esse processo de valorização da nossa cultura e ter nossas necessidades atendidas.

A auto-afirmação enquanto negro significa acima de qualquer coisa ter coragem e força para enfrentar todo o preconceito ainda existente nessa nossa sociedade hipócrita. Não devemos esquecer jamais das responsabilidades que temos. A militância necessita de guerreiros que ocupem as trincheiras, isso não significa que você deva ingressar em uma determinada entidade, basta que saiba sobre o assunto e ocupe os espaços de debate sobre o tema.

Desejmos a todos e todas, forças e persistência, pois a caminhada e longa e os obstáculos diversificados, mas com a união e perseverança conseguiremos alcançar nossos objetivos!

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