quarta-feira, 14 de abril de 2010

No País dos Desonestos os Honestos se Dão Mal

Criado: Sábado, 8 de agosto de 2009, 18:05:17
Concluído: Sábado, 28 de novembro de 2009, 17:34:29

Lauro Araújo

A história apresenta um extenso número de violações aos princípios éticos e aos valores morais, considero que esse fato se deve a dois motivos básicos: ignorância da maioria dos indivíduos que compõe a base da pirâmide-social, pois a falta de uma reflexão critica resulta em atos errados, movidos sempre com o desejo de beneficiamento (oportunismo menos “maléfico”). Outro motivo se deve ao fato que a minoria dominante, que possui um nível intelectual mais amplo, considerados cultos, busca benefícios próprios (privilégios).

No entanto abordarei um tipo e violação consciente, ou seja, a que é realizada tendo-se certeza que o resultado será um ato inescrupuloso, mas praticada devido à convicção que se possui da impunidade e ascensão social, em outras palavras, pelo PODER!

O Brasil não é diferente de outros países nesse aspecto. Nosso país parece valorizar os atos de violação, pois favorecem os indivíduos que agem de maneira corrupta e desonrosa, muitos chegam a ser considerados como heróis. Há casos clássicos de condutas desonestas em que os indivíduos beneficiaram-se com a destruição de movimentos sociais que possuíam fins nobres e com ataques a pessoas honradas. Para citar alguns exemplos: Os soldados que destruíram a comunidade de Canudos foram condecorados, o mesmo aconteceu com os que destruíram a comunidade de Palmares, em especial os ditadores que governaram o país entre 1964-85 e que saíram totalmente impunes e com honrarias.

O cenário de corrupção permanece o mesmo, ao longo do processo de desenvolvimento do país. Fraudes, furtos, sonegações e todos os outros tipos de atitudes desonrosas tornaram-se ações corriqueiras, que já não surpreendem. Esse desleixo total por parte da sociedade civil e do Estado acaba causando um desenvolvimento ainda maior na certeza de impunidade que alguns poucos detentores do poder sentem.

Infelizmente percebe-se na sociedade capitalista uma política de valorização dos bens dos sujeitos e não do caráter dos mesmos. O dilema “você vale o que têm” influência de maneira direta no comportamento das pessoas, a busca insaciável por obtenção de riqueza os fazem cometer ações vergonhosas, violadoras e desumanas. No entanto esse comportamento mesquinho já se normatizou, pois o poder é o importante, não as atitudes realizadas para consegui-lo.

O sujeito que opta pela valorização e adoção dos princípios morais defronta com situações conflituosas, sobretudo quando pertence à classe operária, visto que as mazelas sociais são gigantes devido à ineficiência do Estado, ocasionada pela corrupção que acomete o mesmo.

A sociedade capitalista parece coagir o indivíduo a realizar práticas desonestas, pois se cria uma falsa idéia de que apenas assim poderá ter suas necessidades básicas e ilusórias atendidas. Para não dizer que é repugnante, utilizarei o termo hilário, para classificar alguns fatos que presenciamos no cenário político onde se descobre a cada dia novos fatos de corrupção, mas a mesma analise aplica-se as nossas relações cotidianas, já que visamos sempre beneficiar-nos, tirando vantagens sempre que possível.

A nossa sociedade é corrupta conseguintemente injusta, aqueles que tentam agir de maneira contrária a ela, acabam sofrendo punições severas. Os honestos são excluídos dos vários espaços, passam fome, sofrem constrangimentos diariamente, enfim são submetidos a situações ruins. No entanto não quero que esse texto faça-os pensar que a desonestidade de ser seguida. Pretendo através dele, conscientizá-los a não valorizar atos desonestos, e que cada um consiga se policiar para não cometê-los e o mais importante denunciá-los, para que possamos mudar esse cenário no qual a sociedade se encontra.

A cultura da desonestidade deve ser destruída, sei que parece um discurso utópico, mas a perpetuação dessas ações e a falta de esperança na transformação desse cenário só contribuem para fortalecer os desonestos.

É necessário termos muita força para resistirmos a toda essa inversão de valores pelo qual a sociedade passa. Caso contrário, não resistiremos e tornaremos a sociedade ainda mais complexa, aproximando-se do tão previsível colapso.

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