quinta-feira, 29 de abril de 2010

Uma Breve Reflexão sobre a policia. (Jr Borges)

Sexta feira 20 de novembro (Dia Nacional da Consciência Negra) participei como ouvinte de uma palestra ministrada pela PM-BA com oficiais do CIEEPI vulgarmente conhecida como CAATINGA, ministraram a palestra o Ten. Alcides e o Soldado Cordeiro, trazendo como foco a cultura de paz e de que forma podemos praticá-la. No inicio explanaram sobre os conceitos das palavras-chave cultura e de paz e construíram o conceito do termo cultura de paz, que ficou como “as ações coletivas que constroem a vivencia pacifica”, deram diversos exemplos de comportamentos que constrói a cultura de paz, assim como a gentileza a tolerância, o respeito as diferenças, o dialogo e a solidariedade , construíram reflexão sobre a intolerância como eixo central da violência, frisaram a importância da policia na manutenção do bem estar social, referenciaram a ONU no estudos da cultura de paz e norteadora dos conceitos e aplicações dos direitos humanos e para encerrar a falação fomentaram a pratica cotidiana de cultura de paz através da frase “ a palavra convence, o exemplo arrasta”.

Em primeiro lugar gostaria de deixar bem claro que as minhas opiniões nesse texto foram construídas através de mais de vinte anos morando em favelas, assistindo e sendo vitima cotidiana das ações da policia, e da leitura como forma de entender o comportamento desse organismo do estado que “existe para garantir à ordem e a segurança”.

Propagandear um produto com características inexistentes se enquadra no código de defesa do consumidor como propaganda enganosa. Acredito que essa palestra poderia ser facilmente enquadrada nesse artigo, por divulgar uma policia de cotidiano cidadão, que busca fazer da sociedade mais tranqüila para todos, contradizendo a idéia popular do troglodismo por troglodismo vivenciada por milhões de baianos, onde é mais cotidiano encontrar relatos de homicídios, extorsões, espancamentos, invasões domesticas e diversos outros crimes por parte da policia, do que cidadões trabalhadores satisfeitos com as ações da mesma na sua comunidade. Principalmente se essa se tratar de uma comunidade pobre, o que representa maioria esmagadora da população. Entristece-me bastante constatar que eles divulgaram uma visão deturpada da instituição que existe para manter os estratos sociais inferiores em seus devidos lugares, imóveis sem a possibilidade de nenhum tipo de ação que vá de encontro à ordem estabelecida, que quando acontece é rapidamente rechaçada pelos poderes públicos através do seu braço forte, instalando uma sensação de medo. Essa sensação se desenvolveu de forma lenta no processo de formação das comunidades e tem sua manutenção feita pelo cotidiano violenta impresso pela policia criminosa a que estamos expostos. São muitos os relatos das violações dos direitos humanos praticados pelos defensores da cidadania, cortes involuntários de cabelos em praça publica, surras por variadas motivações ( todas injustificáveis), humilhações de toda espécie, julgamentos e execuções de pena de morte em plena praça publica, o mais assustador é que essas ações tem um publico bem objetivo, e que por traz dessas, tem um sistema perverso que mantém em posição desfavorável a população Afro-descendente dos mais diversos estados da nossa federação. A esses indivíduos compelidos a marginalidade, ou melhor, marginalizados pela sociedade que não deseja a sua efetiva participação e que usa como um dos mecanismos mais perversos da promoção dessa segregação a instituição que deveria garantir a segurança das ruas.


Impunidade e abuso de poder.


É bem notório o motivo pelo qual eles continuam a disseminar o pânico nas periferias desse nosso Brasil, a impunidade é o maior responsável pela barbárie atual, do que adianta dar uma queixa na policia contra a policia? Ou no ministério publico, se logo os mesmos agressores denunciados iram na sua porta te ameaçar de morte para que você retire a queixa? E ai de você se não retirar, eles tocam fogo na sua casa te humilham, roubam, e por fim te assassinam para que serva de exemplo a comunidade de que eles é quem mandam ali...
Comecei a estudar direito pensando em quem sabe um dia poder ajudar a essas comunidades a transformar o seu cotidiano em algo mais condizente com a palavra cidadania, nesses poucos messes passei a conviver com diversas linhas de pensamento, umas favoráveis a policia assim como ela se porta hoje e outras que acreditam que a policia necessita de uma virada de rumo, para ai de fato poder dizer que cumpre o seu papel social.

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