quarta-feira, 30 de março de 2011

Não,não existe racismo no Brasil



        Quando vi a charge publicada pelo jornal Paraná online no dia 19 de março, fiquei abismada pela sua mensagem extremamente racista e reducionista do Brasil. O choque ainda se tornou maior quando eu li intensos debates na internet que questionavam a verdadeira intenção da charge que para muitos brasileiros não é racista. Por isso resolvi expor a minha opinião a cerca desse “enigma” que é de tal simplicidade que só posso crer que os brasileiros têm vendas invisíveis nos olhos, iguais aquelas que “protegiam” o Brasil antes de sua “descoberta”.

     A Charge é um estilo textual que tem como objetivo fazer crítica político-social através de caricaturas que exagera os traços e caracteristicas de uma pessoa. Mas o gênero textual em questão perde todo o seu valor literário quando  é feito de forma racista e discriminatória, como foi feita pelo autor do material que exibe abertamente a imagem de um macaco sendo diretamente associada a um homem. O material em questão, que, aliás, é veiculado pela internet (uma das maiores tendências midiáticas) serve para que saibamos e questionemos o papel da mídia no que tange as questões raciais brasileiras.

     A caricatura exposta pelo jornal  é auto-explicativa e totalmente aberta no teor da sua mensagem, que tende a inferiorizar a imagem do negro, o diminuindo a condição do animal que mais se assemelha ao homem, porém com menos capacidades. O “ingênuo” material humorístico simboliza e reforça antigas teorias que justificavam a escravidão humana quando se afirmava que o negro era um ser não evoluído física, cultural e intelectualmente quando comparado aos brancos que representavam a “A legitimidade do que é ser um ser humano” ser humano este que se contrapunha diretamente a existência do negro. Hoje em pleno sec. XXI vejo uma charge que é considerada uma “charada” para alguns, mas aos meus olhos o retrato só vem para constatar  que o racismo nunca acabou no Brasil, ele apenas se esconde dentro de uma “casca” frágil e apodrecida.

        Outro aspecto bastante incômodo na charge é que a mesma tende a tratar o Brasil como um país ligado apenas a aspectos naturais, como se a nação brasileira ainda não fosse capaz de chegar ao patamar de produtor cultural e tecnológico fazendo com que o país fique reduzido a condição de um local paradisíaco e com aspectos de subalternidade perante as outras nações. Prosseguindo coberta por passagens históricas e pelas brechas deixadas pela charge focarei sobre outro ponto em que o material se revela também bastante discriminatório, se lembrarmos da formação do Brasil logo lembraremos que naquele  período histórico surgiram várias hipóteses de que a colônia portuguesa seria um fracasso devido a quantidade de negros existentes no país. Certamente, o chargista e o jornal que publicou o material devem ter um vasto conhecimento da historia do país e consequentemente bastante “inteligência” para se apropriar da mesma como fez ao publicar a charge ,aparentemente “pura” para alguns. Sinceramente quando eu olho para este retrato eu penso que ela se trata de uma psicografia dos colonizadores deste país.  E pergunto se continuaremos a pousar de “bananas” fingindo que não entendemos o material e sua explicita avacalhação no que tange não só aos negros, mas a todos os brasileiros? Espero que nos tenha sobrado algum requinte nacionalista para além do futebol.

       Para Finalizar vejo a sátira publicada pelo jornal Paraná como algo que só reafirma os antigos ideais racistas e como ele ainda sobrevive no Brasil hora com “fôlego total” como na charge e hora camuflado sob as leis, processos seletivos, mercado de trabalho dentro outros aspectos essências para a sobrevivência do brasileiro que é altamente prejudicado pela “inocência” paradisíaca de saber viver em um país como o Brasil sem a responsabilidade de entendê-lo.

                                                                      Jaciara Santos Nascimento

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