segunda-feira, 23 de maio de 2011

" Eu bato porque amo "

Na manhã de hoje,dia 19 de maio,aconteceu em Brasília um Seminário sobre Experiências de Legislação Contra Castigos Corporais de Crianças e Adolescentes, realizado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em parceria com a Embaixada da Suécia. Uma ação que julgo ser de extrema relevância para a nossa realidade social.
O evento destinou-se a discutir um problema muito grave em nosso país, que é a violência contra crianças e adolescentes justificada pelo amor e disciplina.
Vivemos em uma sociedade em que a agressão (seja ela física ou verbal) familiar praticada contra crianças e adolescentes não é considerada como uma vertente da violência, muito pelo contrário, é vista como um método eficaz no papel de educar, e é disfarçada pelo discurso “eu bato porque amo”.
A população, no geral, não tem dimensão do erro que está cometendo, acredita verdadeiramente que a agressão é um procedimento correto e benéfico. Mas não é muito difícil percebermos as raízes e desacertos dessa crença, pois, se esforçarmos um pouco a nossa memória, lembraremos tempos recentes em que era permitido e apoiado que professores agredissem fisicamente os seus alunos, afinal, naquela época acreditava-se que esse era um meio eficiente para incentivá-los a estudar, porém, hoje, sabemos que esse é um modo inteiramente falho e não mais o admitimos. Erros nas metodologias de ensino são cometidos, em suas várias instâncias, mas cabe a todos nós buscá-los e corrigi-los.
A família é o primeiro espaço social com o qual a criança tem contato, assim, a violência praticada nesse ambiente pode ser refletida para ela como tirania e opressão, podendo ensiná-la a ser uma pessoa oprimida e/ou violenta, dentre tantas outras coisas. Não podemos esquecer que esses são seres que aprendem com cada situação que vivenciam, e que seu psicológico é condicionado pelo social.
Esse tipo de violência é, por vezes, responsável pela entrada de diversos outros tipos de violência no seio familiar e é também responsável por deficiências em todo tipo de aprendizagem vivida por nossas crianças, porque além da troca de valores que ela causa, ainda há o fato de que o aspecto cognitivo é altamente ligado com o aspecto afetivo.
Para ser mais pontual no que estou falando, deixo claro que entendo a violência familiar desde aquelas palavras que hostilizam a criança em qualquer aspecto, aquele puxão de orelha, os pequenos tapas, até o espancamento fatal. Toda e qualquer ação que cause dor física, moral e emocional às crianças devem ser completamente abolidas do interior de nossas famílias.
Essa violência não é um fato esporádico ou passageiro em nossa sociedade, é algo cultural e estrutural que atinge famílias de diversas camadas sociais. E é justamente pensando nessa violação doméstica aos nossos pequenos que precisamos repensar nossos conceitos de educação, um problema que, muitas vezes – por se tratar de uma ação cultural praticada por uma entidade “intocável”, como é a família – fica camuflada, afinal, ninguém se julga como agente propagador desta cultura. Mas, enquanto isso, todos continuam a usar destes artifícios para dominar os seus pequenos.
Nenhum adulto gosta de ser agredido, independente da forma utilizada para efetivar essa ação, mas muitos machucam, fisicamente e emocionalmente, seres que são muito mais vulneráveis e precisam de muito mais amor dispensados a si.
Finalizo, portanto, dizendo que não devemos ser omissos a esta discussão, mas devemos todos juntos repensar nossas metodologias infantis, afinal, o que está em pauta é apenas o direito que toda criança tem de ser amada e educada sem ser agredida.

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