segunda-feira, 20 de junho de 2011

Carma

CARMA

Cristiane Sobral


Esse menino?
Vendia chiclete e bala
Vendia a alma.

O pai do miúdo?
Comprava o diabo numa garrafa de pinga
Derramava desgraça na vida do garoto.
Aconselhava o moleque com surras
Cheias de falta de respeito.

O avô do rapaz também vendia bala.
Bala de revólver...
Um dia deu um pirulito e sumiu no mundo
Enquanto a avó chupava fome.

E o guri?
Aprendeu a beber, a roubar, a matar, e cresceu bandido...
Até morrer num Natal qualquer sem nunca ter visto árvore

Um indigente.
Nunca recebeu nenhum presente.
Nem conheceu vida pior que a sua.

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