segunda-feira, 20 de junho de 2011

O que pensarmos sobre ciência?

Aos analisar os vários discursos em voga, verifiquei uma tendência particularmente coletiva, moderna e racionalista de compreensão da ciência como panacéia, como solução universal. Uma outra postura aversa, igualmente pouco parcimoniosa, é a sua demonização. O comentário de nosso colega Adriano Santana é bastante sensato. Mas é evidente que a tecnologia, práxis cotidiana da ciência, nos é presente a tal ponto que se tornou necessidade de sobrevivência, admitiu tal concretude que extrapola o âmbito do laboratório academicista. Sem ela, não sobreviveríamos em estado de natureza. Skinner, inclusive, nos apontou acerca da necessidade (utópica, talvez) de uma ciência do comportamento como forma de superação de problemas criados pela própria ciência, como as guerras atômicas e o crescimento populacional que a química e a medicina nos relegou. Poucos, como Nietzsche ou Foucault, fizeram a seguinte pergunta: o que aconteceu para que começassemos a acreditar que a ciência pode solucionar nossos problemas, incluindo os transtornos que ela própria suscitou?
Não se trata de um discurso em prol do abandono rancoroso da ciência pelos males que porventura eventualmente produziu. Trata-se, aqui, de indagar a associação entre saber científico e exercício do poder: assim como um cidadão grego discursava na assembléia para influir nas decisões da pólis, é hoje o cientista aquele que detém um saber e por isso exerce o poder de produtor de uma verdade. Mas é necessário problematizar como as relações de poder produzem (no sentido de criar ou inventar) formas de verdade que são locais. A ciência como saber "verdadeiro e justificado" é, portanto, questionável: em que espaços surgem essas formas de saber, e a que poderes ela justifica?

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