quarta-feira, 9 de maio de 2012

Camaçari Historia e Terreiros



"Terreiros, Comunidades de Terreiros, Roças, Giro de Caboclo, Centro de Umbanda são locais de permanência da vida cultural de um povo originalmente africano e depois brasileiro, que se tornou brasileiro aqui, ao longo da história, através da reprodução das suas matrizes africanas e a partir da interação dessas com outras matrizes ameríndias, européias."

No processo de conjugação dessas culturas o Terreiro de Candomblé, tem sido importantíssimo para Historia de Camaçari, podemos citar dezenas de casos de instituições e pessoas que contribuíram para construção dessa Historia. Um exemplo muito forte é de Mãe Gertrudes de Nana Ywa Gertrudes, que foi a parteira das pessoas mais velhas nascidas em cordoaria, um exemplo e seu Firmino de Santana de 98 anos que também foi parturiado por ela. Onde era a Roca de Nana hoje esta a Igreja de nossa Senhora de Santana.

Não é difícil esquecer a figura de Mãe Eulina de Ogum, Saudosa Mãe Eulina. Figura de extremo respeito e influencia política na cidade.

Outro capitulo da nossa historia e Lurdes de Oyá, mais conhecida como Mãe Lourdes de Capangueiro, pessoa muito respeitada do Bairro do Triangulo , tinha grande devoção por Ogum e muita contribuição social para construção do Bairro do Triangulo, depois se transferindo para o entroncamento em Dias D’Avila.

Poderíamos lembrar do saudoso Pai Emanuel de Oxalá, morador de Arembepe, um dos responsáveis pela relação  da organização política entre sacerdotes e sacerdotisas, e da importância de Mãe Angelina Kassinde, fundadora do Unzo Mutagueremy. Impossível esquecer que, o que conhecemos hoje como Barra de Pojuca e resultado de muitas ações que passam pelo terreiro, sobre tudo o comercio.

O Unzo Mutagueremy que esta na terceira geração de sacerdócio matriarcal com Mãe Nilza Damuringanga, e o terreiro que desenvolveu a formação da historia social do distrito de Barra de Pojuca durantes mais de 90 anos de sua existência e há 20 anos liderado por Mãe Nilza, que o assumiu aos 34 anos de iniciação e hoje aos 62 anos de vida e regida por Gongobira e Kaiango Kapanzu, os N’kissis que abençoam suas ações.

As interações das religiões africanas vindas de matrizes Bantos Fons, Yorubanas  com o animismo indígena daqui, com as religiões mais conceituais do mundo europeu, como crista católica, kardecista são o que ajuda a formar o caldo cultural de Camaçari, imprimindo assim a parcela da identidade negra do Município.

O exemplo que expressa esta questão e a historia do Jardim Limoeiro, que se desenvolve no entorno do Terreiro Tumbelazaze, fundado e zelado pela respeitadíssima Mãe Carmem e regido  pelo N’kissi Zazi.

 Um fato histórico inusitado e a associação de moradores do bairro ter sido fundada dentro do Tumbelazazi, e ainda funcionando na prática, dentro do Terreiro. A história da organização social da comunidade ocorre dentro da Roca. Todo desenvolvimento social e político do bairro passa pelo Terreiro.

O Terreiro de candomblé é um laboratório desse processamento religioso brasileiro a partir, especialmente, da vertente africana, sobre tudo na Bahia e especialmente na região do Recôncavo e atual região Metropolitana.

A Historia sócio política da Bahia e de Camaçari, passa também pelos Terreiros. Estima-se que Camaçari possua aproximadamente 210 Comunidades de Terreiros ou Templos de Religião de Matriz africana dividas em Terreiros de Candomblé, Giro de Caboclo ou Sessão de Caboclo, Casa ou Centro de Umbanda.

Foram catalogados 156 Terreiros de Candomblé sendo 62% de Candomblé de Angola 48 chamado  Ketu. Giro de Caboclo, Sessão de giro, Casas ou Roças de Caboclo contaram 32. Foram encontradas 10 Rocas de Candomblé sendo uma tombada pelo IPAC (Terreiro de Jauá). Foram contatados 12 Centros de umbanda ou Casa de Umbanda, segundo inforormações da  ACBANTU, AFA,Rede Kodia.

No processo de conjugação dessas culturas, que forma Camaçari, o Terreiro de Candomblé, é basilar na formação da cultura popular não apenas de Camaçari mas de todo o Brasil, observemos sua influencia em muitas manifestações da cultura popular, reizado, chegança, marujadas,samba de roda entre outras .

O Terreiro de Candomblé, então, é uma mistura um laboratório desse processamento religioso brasileiro a partir, especialmente, da vertente africana.

É uma coisa valiosíssima. Tem sido valioso para o passado, é valioso hoje como elemento indentitario de Camaçari. Seu valor hoje implica na contraposição ao pré-conceito sobre Camaçari limitasse a ser uma cidade conhecida pelo pólo petroquímico ou por belas praias. Preconceito esse que recorrentemente ouvimos dizer que Camaçari é uma cidade de passagem sem identidade cidade puramente industrial.

Se observarmos alguns campos culturais de Camaçari nas comunidades de Barra de Pojuca, Parafuso, Arembepe, Cordoaria com seus grupos como samba de roda, roda samba, chegança marujada,terno , reisada, que ocorrem nas comunidades desde a orla ate a região do oeste de Camaçari são composta pelo chamado Povo de Santo(adeptos iniciados ou não simpatizantes ou com pouca assiduidade.).

Não podemos deixar de avaliar a transformação da Estrada da Cascalheira ao longo do tempo.  Os Terreiros testemunharam a depredação do meio ambiente nas antigas matas que a cascalheira cortou. Hoje, as comunidades que são cortadas pela Estrada da Cascalheira,,muitas vezes, os Terreiros são referências geográficas ao longo da estrada. Ajudam a delimitar bairros e localidades. os Terreiros ajudaram a redesenhar a Cascalheira nos últimos 15 anos .

Os Templos Religiosos de Matiz Africana  contribuíram para cristalização de campos da cultura de um povo que aqui estava na condição de escravo. Terreiro é um conjunto de manifestações religiosas que se estendem para vários outros campos da Bahia e de também de Camaçari, a música, a dança, a culinária, a indumentária, a relação com a natureza, a dimensão ecológica, tudo isso o Terreiro de Candomblé abriga com uma característica muito própria. E, além disso, é também um é lugar de abrigo desse patrimônio humano, desse capital chamado povo afro-camaçariense.

João Borges negrosmilitantes@yahoo.com.br é profesor de filosofia, estudioso da cultura afro brasileira e filho de Oxalufan

6 comentários:

  1. Excelente artigo, João. Destaco também a figura de Dona Zefinha, Yalorixá e parteira de muitos camaçarienses.

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  2. João, fiquei feliz em ler seu artigo. Aprendi um pouco mais sobre a história desse povo guerreiro em particular daqueles que ajudaram de alguma forma a construir Camaçari e fortalecer a religião vinda de tão longe. Tenho certeza que essa foi uma escolha dos Orixás. Parabéns meu irmão e que o Pai Ogum sempre te proteja e abra seus caminhos. Augusto de Paula

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  3. Muito bom o seu texto João, Parabéns.

    Ojú tó Ribi tí ko fo, a ira de ló ńdúró
    Os olhos que viram o mal e não ficaram cegos, é só esperar para ver o bem.

    É uma luta árdua, e não será contra ninguém, será apenas contra o tempo, contra a necessidade, contra a anti-cultura, contra anti-educação, etc.

    Passariamos horas falando dos "anti-", não podemos mudar o passado, tão pouco queixar-se do presente, mas podemos trabalhar agora para que gerações futuras vejam cultura como um forma de se viver, sem imposições e sem restrições.

    Parabéns João, foi um ótimo ensinamento!
    Obrigado.

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  4. Muito bom o seu texto João, Parabéns.

    Ojú tó Ribi tí ko fo, a ira de ló ńdúró
    "Os olhos que viram o mal e não ficaram cegos, é só esperar para ver o bem."

    É uma luta árdua, e não será contra ninguém, será apenas contra o tempo, contra a necessidade, contra a anti-cultura, contra anti-educação, etc.

    Passariamos horas falando dos "anti-", não podemos mudar o passado, tão pouco queixar-se do presente, mas podemos trabalhar agora para que gerações futuras vejam cultura como um forma de se viver, sem imposições e sem restrições.

    Parabéns João, foi um ótimo ensinamento!
    Obrigado.

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  5. ola, boa tarde !!

    Achei interessante o artigo. Encontrei por acaso esse blog pois estava fazendo uma pesquisa sobre candomble em camaçari. Gostaria de parabenizar o autor pois iniciativas como esta ajudam a preservar a nossa historia e aborda cada vez mais a influencia da cultura afro-baiana no desenvolvimento de impotantes cidades.

    João Santos

    PS: Um duvida, em relação a mae angelina kassinde do unzó mutagueremi é a mesma famosa mametu kassinde de salvador, da raiz angola paketan?

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  6. Muito interessante o artigo. Sou um simples pesquisador de cutura afro e encontrei esse blog pesquisando sobre os terreiros de candomble em camaçari. Gostaria de parabenizar ao autor pois são iniciativas como essa que ajudam a preservar a a historia e abordar como o povo de santo foi significativo na construção e crescimento de importantes regiões em nosso estado. Saudações

    João Santos

    PS: uma duvida, a mae angelina kassiende do unzo mutagueremy é a famosa mametu kassinde de salvador da raiz angola paketan?:

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