quinta-feira, 17 de maio de 2012

A FÍSICA DO ESTADO PÚTRIDO (Diego Pinheiro)

... e em um dia específico, 
todos os olhares estarão em mim,
o mundo, e eu mesmo, 

estará a olhar um corpo parecido com o meu,
com olhos fechados 

(creio que por causa da poeira) 
e dirão: “Este foi aquele que pensava saber sobre nós
e que tinha os olhos cegos para as circunstâncias.
Criava filosofias pessoais e ‘nomenclaturava-as’ de filosofias...
Este foi aquilo... 

e aquilo outro.”


No final, não ouvi qualquer voz, 

nem a voz que, quando dormia, pela noite,
me dizia: “Seja prudente. 

A prudência guia o homem, Diego, 
e algum mal pulsa em seu organismo... 
se mistura com o seu sangue. 
O mundo é isso que vê.
O amor e as pessoas é isso que vê, 

não aquilo que sente como já dizia as outras vozes.”
... E desabotoando a camisa, 

encontrando a ferida em meu peito... 
chamo-a de coração,
como quem nomeia objetos e coisas... 

e a voz some... 
e eu não dou a pura importância... 
a máxima em estar vivo.


Como se não bastasse ter um coração tenho um cérebro...
E tudo que é questionamento nasce de ambos... 

e as vozes voltam... 
junto com visões extraordinárias... 
Quem me dera me encontrar com a humanidade sofrendo por amor 
e não por algo mais essencial ao homem... 
que não existe, e por isso se cala, 
some.
- A própria árvore produz uma voz em um auxílio quieto, 

estimulada pelo vento, 
mas nascida em sua amargura...
Aliás... como um ser vivente como a árvore, 

parado, 
estático, 
não se amargura por não conseguir se movimentar, 
e com isso esperar o vento?


... e novamente me encontro com filosofias subjetivadas,
Sem nenhuma referência, de livro ou teórico, 

de técnica e de lugar...
E sonho com a possibilidade de encontrar 

a essência das coisas no fundo de minha xícara de café, 
amargo, 
sem nenhuma pretensão em propor mudança a partir dela, 
pois coisa menor sou eu 
em pensar em uma ciência de realidade radical, 
e de como as coisas podem mudar a partir disso.
Me torno um reservatório de anseios, 

vontades, 
milagres... que, 
definitivamente, 
não são meus, 
são dos outros a minha volta... 
Viventes.


O meu universo todo é dentro. 
A ferida do mundo. 
Pulsante... 
Uma multidão eufórica que consome... 
e mata.




Diego Pinheiro, 01 de Fevereiro de 2011, às 20h:48min



Uma poesia de outros tempos

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