domingo, 10 de fevereiro de 2013

Ancestralidade na alma

Cristiane Sobral

Eu não olho para o chão
Minha alma não está nos meus pés
Não sou bicho de estimação

Meus dentes brancos não desperdiçam risos fúteis
Meus quadris largos não servem apenas para gingar
Meus seios fartos talvez não sejam destinados a amamentar

Eu não olho para o chão
Minha alma não está nos meus pés
Não sou bicho de estimação

Não sou animadora de festa
Nem carrego tudo e todos nas costas
Não sou o anjo negro consolador...

Eu não olho para o chão
Minha alma não está nos meus pés
Não sou bicho de estimação.

Escrevo palavras negras
Tatuando a ancestralidade na alma
Para refletir a nossa luz.

Sobral, Cristiane. Cadernos Negros 35. Poemas Afro-brasileiros. Ed. Quilombhoje, São Paulo, 2012.

O livro “Cadernos Negros volume 35 – Poemas Afro-Brasileiros” reúne mais de 100 poemas, em que cada autor e autora nos mostra um elaborado trabalho com a palavra e o compromisso com a poesia que vem marcando a série ao longo desses 35 anos, fazendo dessa a série de maior fôlego na história da literatura afro-brasileira. A série Cadernos Negros, da qual o volume 35 faz parte, traz contos e poemas de autores autodenominados afro-brasileiros e discute conceitos e significados da literatura negra e as relações desta literatura com a literatura brasileira canônica, além de chamar a atenção para questões cruciais em nossa sociedade, como a diversidade, a cidadania etc. Nessa multiplicidade de experiências na escrita, entre jovens autores e aqueles que têm uma trajetória mais consolidada, destacamos esta frase “Na poesia, mesmo rindo, a palavra dói a cada esquina, pois o som é bisturi com que a metáfora rasga o gesto e faz nascer o contínuo choro a lavar, nas entrelinhas, o peito”, do escritor e professor-doutor Luiz Silva (Cuti), outro autor participante da antologia.

Autores: Akins Kinte, Bas’ilele Malomalo, Claudia Walleska, Cristiane Sobral, Cuti, Débora Garcia, Décio Vieira, Denise Lima, Edson Robson, Fausto Antônio, Guellwar Adún, Jairo Pinto, Jamu Minka, Kasabuvu, Luís Carlos ‘Aseokaynha’, Márcio Barbosa, Mel Adún, Samuel Neri, Serafina Machado, Sergio Ballouk, Silvana Martins e Vânia Melo.



Um comentário:

  1. Porque um site 100% negro eh normal, mas caso faça um site 100% branco seria racismo, deixo claro q é apenas uma pergunta e desculpa caso alguem se sinta ofendido com a mesma.

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