segunda-feira, 3 de junho de 2013

Entrevista com ator Jorge Maia.







Jorge Maia ator, músico, cantor, compositor, fonoaudiólogo e preparador vocal. Formado pela Casa das Artes de Laranjeiras, iniciou sua carreira no Teatro Tablado.
O incansável e multi talento conversou com o Renajune , sobre vários assuntos interessantes confira :


Renajune - Você nasceu em um período difícil, em 1964, no início da ditadura militar. Conte-nos uma experiência sua vivida naquele momento tenso da história brasileira e se você que vivenciou aquele período até os seus 21 anos considera que de fato não vivemos mais em uma sociedade de repressão contra as lutas coletivas?

Jorge Maia –  Eu me lembro de um fato muito interessante nesse período principalmente escolar. Quando eu era criança até o início da minha adolescência o estudo da História era simplesmente o estudo de datas e alguns fatos. Isso acontecia também com a Geografia.  Depois de 1979 com o princípio do fim da ditadura militar o ensino da História e da Geografia mudou radicalmente. E ficou com certeza muito mais interessante. Podemos a partir daí ter um ensinamento muito mais contextualizador. Ter um entendimento como cidadãos sobre o que somos e que representamos na sociedade.

Renajune - Quando você descobriu esse dom pra ser cantor e compositor?

Jorge Maia – Cantor, desde muito pequeno. Me lembro de estar cantando desde os 4/5 anos de idade. A composição veio a aparecer bem mais tarde quando eu estava fazendo a minha escola de formação de ator. Começou como uma brincadeira, mas depois fui o primeiro vocalista da Banda Bel que trabalhava com composições próprias. Aí a composição se tornou algo muito presente em mim.


Renajune - A arte é a representação de um sentimento íntimo, individual ou grupal. Com base nisso muitos artistas fizeram grandes músicas denunciando os problemas sociais.Você como compositor sente também essa responsabilidade de denunciar os problemas sociais?

Jorge Maia - Não sei se diria responsabilidade, até porque como compor vem de uma inspiração vários fatos nos inspiram, mas de uma certa forma essa responsabilidade acaba acontecendo sim. Nós vamos vivendo tantas coisas ao mesmo tempo, principalmente num país tão injusto como o nosso que vamos sempre externar nas nossas canções os reflexos do que vivemos.


Renajune - Como foi a experiência de trabalhar com Miguel Falabella no musical "A gaiola das loucas." ?

Jorge Maia – Trabalhar com o Miguel é sempre muito prazeroso e enriquecedor. Miguel sem dúvida é um dos artistas mais capacitados que existe nesse país. Ele tem um talento muito raro. Ele consegue ser popular e sofisticado na medida certa. Além de ser muito humano também. Já tinha trabalhado com ele outras vezes, e ter dividido a cena com ele e Diogo Villela na Gaiola foi algo marcante na minha carreira.

 Renajune -  Quais são os artistas que mais te inspiram nesse seu lado musical?

Jorge Maia –  Nossa! Muita gente. Vou citar alguns - Milton Nascimento, Emílio Santiago, Candeia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Sarah Vaughan, Stevie Wonder, Michael Jackson, Cartola, Ray Charles, Nina Simone, Ella Fitsgerald, Geraldo Pereira, Chico Buarque e Gonzaguinha.

 Renajune - Você chegou aos 49 anos sendo fonoaudiólogo, especialista em voz, cantor, compositor, e até mesmo ator. Você já passou por algum momento difícil em sua carreira no qual pensou em largar tudo e seguir com uma carreira mais estável e segura?

Jorge Maia – Sim várias vezes. Só parei de pensar nisso a muito pouco tempo. Quando eu resolvi cursar a Fonoaudilogia esse sentimento estava muito forte dentro de mim. Só que acabei entendendo que o que eu precisava ter era uma fé genuína. Isso é o que eu precisava mudar. Enquanto você não tiver fé naquilo em que você faz, você pode ter qualquer profissão que exista no mundo que com certeza não conseguirá chegar em lugar nenhum.

 Renajune - Podendo ser considado uma pessoa multi inteligente. Sendo um exemplo pra diversas
pessoas negras e jovens que assim como você deverão encontrar dificuldades no caminho. Qual o incentivo que você deixa pra essas pessoas?

Jorge Maia - O meu incentivo é que precisamos ser persistentes e termos fé no que fazemos, mesmo que as circunstâncias possam parecer as mais adversas. É preciso trabalhar e estudar muito para se vencer a barreira do preconceito e elevarmos a nossa auto-estima que é o quesito essencial para se tornar vitorioso nesse batalha. Sem a auto-estima elevada não se chegar a lugar nenhum. É o combustível da fé.

Jorge Maia .

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