sábado, 24 de agosto de 2013

A Internet e as Religiões de Matriz Africana



Um dos maiores impasses existente no século XXI é sem nenhuma dúvida a relação entre os dois mundos colocados no título desse texto. A tecnologia da informação se desenvolveu rapidamente, e ao se desenvolver, possibilitou que uma quantidade imensa de informações seja repassada quase que instantaneamente em relação ao ocorrido, um acidente, um crime e por assim em diante.
As redes sociais criou um fenômeno que já era esperado, o contato entre pessoas sem que elas realmente estejam no mesmo ambiente ou próxima entre si. O ORKUT foi uma das redes sociais pioneiras aqui no Brasil pra esse tipo de relação, porém o seu sucessor como rede social mais utilizado no país, o FACEBOOK, proporcionou a mesma relação só que com ferramentas mais rápidas e diferenciadas, dando às pessoas poder de postar, compartilhar fotos e vídeos de forma rápida e eficiente, e é aí que entro com a questão das religiões de matriz africana.
As religiões de matriz africana, muitas vezes chamadas erroneamente de candomblés (erroneamente, porque quando se faz isso, restringem-se todas as religiões de matriz africana a um único seguimento, a umbanda, por exemplo, é excluída quando fazemos isso) têm como um dos pilares o segredo. Para ter acesso às informações é necessário passar por iniciações e principalmente tempo e merecimento, porém as redes sociais possibilitaram fotos e vídeos de ritos que não deveriam ser fotografados ou filmados, simplesmente porque muitas pessoas ao verem e não saberem qual o propósito, não acreditarem ou não concordarem com o que se é visto, tem autonomia na interpretação do que se vê, e essas interpretações nem sempre ou me ouso a dizer nunca são benéficas.
A partir dessa reflexão me perguntei, até onde a divulgação e o uso das tecnologias da informação, mais especificamente das redes sociais beneficia as religiões de matriz africana, podemos ou temos como delimitar um limite, uma fronteira que determina que até aquele ponto ajude e depois dele não ajude mais as pessoas a compreenderam o que são e como funcionam um pouco dessas religiões.

Nkosi na cultura bantu ou Ogum na Yorubá - orixá da guerra, ferreiro e das tecnologias.

Os mais velhos não admitem essas coisas, e de certa forma concordo com eles, acho que a fronteira pode ser delimitada em explicarmos e contarmos lendas dos orixás, nkisses e/ou voduns, mas passando disso, fotos e vídeos de rituais já é algo inaceitável. Outra coisa é a crítica que as pessoas de axé fazem de seus irmãos de religião ao verem algo ou lerem um texto sobre a história, hierarquia ou qualquer coisa relacionada a alguma divindade e não concordarem, isso gera um conflito de egos desnecessário para com algumas pessoas que não entendem bem a palavra respeito e a palavra humildade.
Sinceramente postar na internet que eu amo os orixás e dizeres relacionados a eles não há mal algum, mas o mais importante é o que eu digo a eles e como me comporto para com eles no meu terreiro, esse é o verdadeiro significado da palavra AXÉ.

MAKUIU JIPANGE IAMI (A benção meus irmãos)

Por: Bruno Cupertino

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